A ESCOLHA
Agora é com você.
Por Paulo Laurentino
Durante semanas, falamos sobre o voto.
Sobre emoção.
Identidade.
Propaganda.
Memória.
Informação.
Ignorância cívica.
Representantes.
Instituições.
Poder.
E sobre aquilo que acontece quando deixamos de pensar e passamos simplesmente a repetir.
Agora chegou o momento em que toda essa conversa encontra a realidade.
A urna.
No dia 4 de outubro, o eleitorado brasileiro escolherá presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. O primeiro turno será realizado das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Mas existe algo que nenhuma urna pode fazer por você.
Pensar.
O VOTO É SEU
Ninguém entra na cabine com você.
Não entra o candidato.
Não entra o partido.
Não entra o influenciador.
Não entra o comentarista.
Não entra o amigo.
Não entra o grupo de WhatsApp.
Você entra.
E você decide.
Por isso, talvez a pergunta mais importante antes de apertar CONFIRMA não seja:
“Em quem todo mundo está votando?”
Mas:
“Por que eu estou votando em quem estou votando?”
A resposta merece alguns segundos de silêncio.
NÃO VOTE APENAS COM A MEMÓRIA DE HOJE
A eleição não deveria ser uma fotografia do último escândalo.
Nem do último vídeo.
Nem da última indignação.
Nem da última promessa.
O voto é uma decisão sobre pessoas que receberão poder para tomar decisões públicas.
Por isso, vale olhar além da propaganda.
Conhecer o candidato.
Conhecer suas propostas.
Conhecer sua trajetória pública.
Verificar informações.
Distinguir fato de opinião.
E lembrar que diferentes cargos possuem diferentes responsabilidades.
Em 2026, serão seis escolhas na urna. A sequência começa por deputado federal e termina na Presidência da República.
Seis escolhas.
Não uma só.
NÃO ENTREGUE SEU VOTO À EMOÇÃO
A emoção faz parte da política.
Mas emoção não precisa ser o único critério.
Raiva pode informar.
Esperança pode informar.
Medo pode alertar.
Admiração pode aproximar.
Mas nenhuma delas, sozinha, conhece o futuro.
Antes de confirmar, talvez valha perguntar:
O que eu sei?
O que eu apenas ouvi?
O que foi comprovado?
O que foi prometido?
O que realmente compete a esse cargo?
O que eu espero que aconteça depois da eleição?
Essas perguntas não escolhem por você.
Elas devolvem a escolha para você.
O VOTO NÃO TERMINA NA URNA
Existe ainda uma parte da democracia que começa depois.
Fiscalizar.
Acompanhar.
Cobrar.
Lembrar.
Participar.
Não transformar representante em ídolo.
Não transformar adversário em inimigo.
Não esquecer aquilo que foi prometido.
Democracia não é entregar uma procuração em branco a cada quatro anos.
É acompanhar o que foi feito com o poder que o eleitor delegou.
E SE VOCÊ AINDA ESTIVER EM DÚVIDA?
Tudo bem.
A dúvida pode ser mais honesta do que a certeza fabricada.
Pare.
Pesquise.
Compare informações.
Consulte fontes confiáveis.
O próprio TSE mantém informações oficiais sobre candidatos, votação, regras eleitorais e preparação para o pleito.
Não tenha vergonha de dizer:
“Eu ainda não sei.”
Vergonha seria deixar que alguém pense por você.
O PONTO CEGO
Durante toda esta campanha, procuramos pontos cegos.
Aquilo que não percebemos.
Aquilo que repetimos.
Aquilo que acreditamos sem verificar.
Aquilo que defendemos apenas porque alguém do nosso lado disse.
Talvez o maior ponto cego seja acreditar que o voto é pequeno.
Não é.
Ele é apenas uma decisão individual dentro de uma decisão coletiva.
E justamente por isso cada eleitor precisa assumir a sua parte.
Não existe voto terceirizado.
AGORA É COM VOCÊ
Não vou dizer em quem votar.
Nem deveria.
A escolha é sua.
Mas gostaria de deixar uma pergunta.
Quando você estiver diante da urna, sozinho, depois de toda a propaganda, de todas as brigas, de todas as certezas e de todas as dúvidas…
você saberá por que está apertando CONFIRMA?
Se souber, faça sua escolha.
Se não souber, ainda há tempo para pensar.
Porque o verdadeiro objetivo de uma consciência cívica não é produzir eleitores que pensem igual.
É produzir cidadãos que pensem.
E depois da urna, continue pensando.
Continue perguntando.
Continue fiscalizando.
Continue participando.
Porque a democracia não termina quando a tela mostra:
FIM.
Ela apenas muda de fase.
PONTO CEGO
A informação pode chegar até você.
O conhecimento precisa ser construído por você.
A escolha é sua.
Agora é com você.
Paulo Laurentino é Artista Plástico e Publicitário
