{"id":17798,"date":"2015-08-24T13:25:55","date_gmt":"2015-08-24T16:25:55","guid":{"rendered":"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/?p=17798"},"modified":"2015-08-24T13:25:55","modified_gmt":"2015-08-24T16:25:55","slug":"pantaneiro-transforma-propriedade-do-avo-desbravador-em-confortavel-hotel-no-porto-jofre-e-foca-no-ecoturismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/pantaneiro-transforma-propriedade-do-avo-desbravador-em-confortavel-hotel-no-porto-jofre-e-foca-no-ecoturismo\/","title":{"rendered":"Pantaneiro transforma propriedade do av\u00f4 desbravador em confort\u00e1vel hotel no Porto Jofre e foca no ecoturismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-17799\" src=\"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/bbb.jpg\" alt=\"bbb\" width=\"400\" height=\"223\" srcset=\"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/bbb.jpg 600w, https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/bbb-150x83.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>H\u00e1 quem v\u00e1 ao Pantanal para pescar, tem quem prefira observar p\u00e1ssaros, fotografar on\u00e7as ou apenas fugir da rotina estressante da cidade. N\u00e3o importa o objetivo, existe sempre muito mais para se encontrar do que aquilo que se busca. E o contato com o pantaneiro \u00e9 sempre parte importante da visita. Sotaque, hist\u00f3rias, conversa jogada fora inserem mais ainda o visitante no Pantanal. Em uma hospedagem no Hotel Pantanal Norte, dois dedos de prosa com o propriet\u00e1rio do local, Jamil Rodrigues Costa, 66 anos, pode valer muito mais do que um dia de passeio para conhecer o local e sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seo Jamil veio ao mundo pelas m\u00e3os de uma parteira, num rancho de palha \u00e0s margens do Rio Cuiab\u00e1, no cora\u00e7\u00e3o da maior plan\u00edcie alagada do planeta. Foi o \u00faltimo da fam\u00edlia a nascer nessas circunstancias. \u00c9 o mais velho de cinco irm\u00e3os e depois dele todos tiveram seus partos em hospitais na cidade. Viu em seis d\u00e9cadas de Pantanal a mudan\u00e7a da mentalidade dos habitantes, tanto na rela\u00e7\u00e3o com a natureza quanto na busca por renda. O hotel Pantanal Norte \u00e9 o resultado direto dessas mudan\u00e7as \u00e0s quais o pantaneiro se viu obrigado a fazer ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O av\u00f4 de Jamil foi um dos desbravadores do Pantanal e iniciou a fam\u00edlia naquelas terras. \u201cA gente veio basicamente do nada. Meu av\u00f4 veio pra c\u00e1 naquela \u00e9poca desbravar, isso aqui que era um sert\u00e3o e n\u00e3o tinha nada. Isso aqui naquela \u00e9poca para voc\u00ea ter uma no\u00e7\u00e3o nem era vendido. Voc\u00ea vinha descendo o rio, ia se informando com seus vizinhos, quem era seu vizinho pra baixo, pra cima, at\u00e9 chegar onde n\u00e3o tinha ningu\u00e9m, ai voc\u00ea j\u00e1 falava ent\u00e3o vou ser seu vizinho, vou requerer essa parte. Ai voc\u00ea registrava no Incra e requeria para ser propriet\u00e1rio\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cNaquela \u00e9poca n\u00e3o tinha estrada, n\u00e3o tinha comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinha nada. S\u00f3 tinha o rio, entendeu? E esses caras criaram imp\u00e9rios aqui\u201d, relata. \u201cFico admirado de ver de como naquela \u00e9poca, com todas as dificuldades, aquele pessoal conseguiu montar um imp\u00e9rio aqui. Uma riqueza muito grande. Voc\u00ea saia de Cuiab\u00e1 at\u00e9 Corumb\u00e1, por essa faixa de rio, era muito rico. N\u00e3o rinha ningu\u00e9m passando fome, era uma fartura muito grande. Mor\u00e1vamos num rancho de palha, mas tinha uma fartura. Voc\u00ea chegava em qualquer casa e a pessoa independente de conhecer ou n\u00e3o, j\u00e1 te acolhia, fazia quest\u00e3o de que voc\u00ea ficasse ali pelo menos um dia para conversar e te atendia muito bem. E n\u00f3s estamos falando das pessoas \u2018mais baixas\u2019, que moravam nos ranchos de palha. Fora os imp\u00e9rios que tinha aqui\u201d.<\/p>\n<p>O patrim\u00f4nio dos pantaneiros foi crescendo, segundo Jamil, com a lida do gado e a venda de peles. \u201cAs pessoas tinham fazenda, mas na verdade o neg\u00f3cio principal deles era o com\u00e9rcio da pele. Da on\u00e7a, do jacar\u00e9, da capivara. Era um giro muito r\u00e1pido. O cara saia \u00e0 noite e amanhecia com 50 jacar\u00e9s e j\u00e1 estava o comprador ali no porto esperando. Era acabar de preparar a pele e ele j\u00e1 estava com o dinheiro no bolso e com isso os fazendeiros n\u00e3o precisavam do gado. Aquilo ali era uma poupan\u00e7a\u201d, explica. \u201cNa \u00e9poca, quem tinha cinco mil cabe\u00e7as de gado n\u00e3o eram considerados fazendeiros. Era criador. Os fazendeiros propriamente ditos eram os que tinham de 10 para cima\u201d.<\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o da venda de pele jogou um balde de \u00e1gua fria em muitos fazendeiros da regi\u00e3o. Mas n\u00e3o para todos. Com as restri\u00e7\u00f5es, o produto ficou mais valorizado e o contrabando ganhou for\u00e7a. Os ca\u00e7adores empurrados para a clandestinidade enfrentavam policiais e a sa\u00edda para estancar de vez a atividade foi repreender o consumidor e n\u00e3o mais o vendedor. Foi o fim de um ciclo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o existe mais aquela pessoa que compra couro. Agora se voc\u00ea souber fazer um trabalho encima dos animais vivos, vai ver que eles s\u00e3o muito mais rent\u00e1veis do que quando voc\u00ea fazia o com\u00e9rcio dele morto. E as pessoas, hoje, grande parte j\u00e1 tomou essa consci\u00eancia. Quem n\u00e3o tomou, est\u00e1 indo \u00e0 fal\u00eancia\u201d, diz Jamil, que se usa como exemplo. Ele conta que com a chegada da transpantaneira, criar gado na regi\u00e3o ficou invi\u00e1vel, pois ela interferiu diretamente no equil\u00edbrio ambiental na regi\u00e3o. \u201cNa minha propriedade, onde meu v\u00f4 criava 5 mil cabe\u00e7as de gado, hoje n\u00e3o consegue se criar nem mil, nem 500. Porque onde era o campo em que criava o gado, tinha o per\u00edodo de cheia e voc\u00ea tinha o controle, voc\u00ea sabia quando ia encher, quando ia vazar, o volume. Hoje voc\u00ea n\u00e3o tem controle disso\u201d.<\/p>\n<p>Se por um lado a transpantaneira inviabilizou para Jamil a cria\u00e7\u00e3o de gado, facilitou a vinda de sua nova fonte de renda: o turismo. E o projeto do hotel foi se fazendo aos poucos. Os anos de 1980 foram movimentados no Pantanal. Carros e carros de pescadores chegavam na regi\u00e3o e Jamil organizou com o pai alojamentos para acomodar os visitantes. \u201cChegou a ter aqui 300 pessoas por dia, todos pescadores\u201d, lembra. Mas esse novo ciclo tamb\u00e9m era altamente predat\u00f3rio. \u201cN\u00e3o tinha lei para nada, um cara vinha aqui e levava 10 mil kg de peixe de qualquer tamanho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com a regulamenta\u00e7\u00e3o da pesca, abusos ainda aconteciam. \u201cEssas pessoas n\u00e3o vinham aqui para fazer turismo, vinham fazer com\u00e9rcio. Pegava nosso peixe de gra\u00e7a e vendia na cidade dele l\u00e1. O \u00faltimo cara aqui que eu cheguei e botei um basta, veio com uma F4000 com a carroceria toda cheia de freezer. Ele encheu e n\u00e3o contentou, foi em Pocon\u00e9, comprou isopor e gelo e encheu aquilo de dourado, pintado, pacu. Tamb\u00e9m n\u00e3o contentou com isso e foi numa fazendeiro aqui do lado e comprou sal para salgar pra levar. Quando eu vi aquilo, falei, por favor meu amigo, se ponha aqui pra fora e n\u00e3o volte aqui nunca mais\u201d.<\/p>\n<p>O endurecimento na legisla\u00e7\u00e3o e a melhoria na fiscaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afastou a pesca predat\u00f3ria no Pantanal. A pesca esportiva acabou se tornando o foco do turismo e posteriormente a observa\u00e7\u00e3o de animais, com a mais recente visita para buscar a on\u00e7a pintada. Nesse contexto, o que era um espa\u00e7o de alojamento em uma fazenda no Pantanal acabou se tornando um aconchegante hotel. Na \u00e9poca da pescaria predat\u00f3ria, Jamil e o pai fizeram uma pequena estrutura de acampamento, com banheiro, quiosque, ponto de \u00e1gua pra limpar o peixe. O neg\u00f3cio cresceu tanto que o pai de Jamil passou para ele tocar sozinho.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos essa estrutura que temos hoje, cada um trazia sua estrutura, um gerador atr\u00e1s do outro. Ent\u00e3o n\u00f3s come\u00e7amos com esse pessoal que abriu a vis\u00e3o da agente e trouxeram o dinheiro para a gente come\u00e7ar, mas quando esse pessoal sumiu com a lei, come\u00e7amos a criar a estrutura de alojamento primeiro. Era um alojamento grande, com oito camas, tinha banheiro l\u00e1 dentro, mas ele fazia a comida dele, d\u00e1vamos s\u00f3 a estrutura\u201d.<\/p>\n<p>O \u00faltimo ciclo de mudan\u00e7as come\u00e7ou nos \u00faltimos cinco anos, com a busca por ecoturismo. Hoje, o hotel de Jamil \u00e9 lotado apenas 40% por pescadores e esse percentual s\u00f3 cai. Isso porque o ecoturista \u00e9 muito mais organizado e planeja com muita anteced\u00eancia a visita. Quando o pescador tenta marcar algo para \u201csemana que vem\u201d, j\u00e1 est\u00e1 tudo lotado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #999999;\">Olhardireto<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-17800\" src=\"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/bbbb-650x432.jpg\" alt=\"bbbb\" width=\"650\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/bbbb-650x432.jpg 650w, https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/bbbb-150x99.jpg 150w, https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/bbbb.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem v\u00e1 ao Pantanal para pescar, tem quem prefira observar p\u00e1ssaros, fotografar on\u00e7as ou apenas fugir da rotina estressante<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17800,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-17798","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-variedades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17798"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17801,"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17798\/revisions\/17801"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17800"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}