{"id":25630,"date":"2016-06-02T10:31:08","date_gmt":"2016-06-02T13:31:08","guid":{"rendered":"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/?p=25630"},"modified":"2016-06-02T10:31:08","modified_gmt":"2016-06-02T13:31:08","slug":"mulheres-realizam-ato-contra-a-cultura-do-estupro-em-cuiaba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/mulheres-realizam-ato-contra-a-cultura-do-estupro-em-cuiaba\/","title":{"rendered":"Mulheres realizam ato contra a &#8216;cultura do estupro&#8217; em Cuiab\u00e1"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #999999;\"><em>Ato reuniu dezenas de mulheres na Pra\u00e7a Ulisses Guimar\u00e3es, na capital.<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #999999;\"><em>Manifesta\u00e7\u00e3o lembrou mulheres que foram violentadas e mortas em MT.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-25631\" src=\"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato1.jpg\" alt=\"ato1\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato1.jpg 620w, https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato1-150x112.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>Dezenas de mulheres se reuniram nesta quarta-feira (1\u00ba), na Pra\u00e7a Ulisses Guimar\u00e3es, em Cuiab\u00e1, em um ato contra a \u201ccultura do estupro\u201d no Brasil. O protesto, que ocorre simultaneamente em v\u00e1rias cidades do pa\u00eds, ocorre uma semana depois de vir \u00e0 tona o estupro coletivo sofrido por uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro. Em imagens divulgadas nas redes sociais, a garota aparece nua, desacordada e sendo tocada por v\u00e1rios homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ato tamb\u00e9m lembrou casos de v\u00edtimas de estupro no estado, por meio de estacas em forma de cruz cravadas no solo da pra\u00e7a com os nomes e idades de cada mulheres que foram assassinadas e violentadas na capital. Um dos casos lembrados foi o da jovem Juliene Gon\u00e7alves, de 22 anos, cujo corpo foi encontrado nu e pendurado pelo pesco\u00e7o no corrim\u00e3o da arquibancada de um campo de futebol no bairro CPA II, em 2012. At\u00e9 hoje, ningu\u00e9m foi indiciado pelo crime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ato pol\u00edtico-cultural teve in\u00edcio \u00e0s 16h e, segundo Jacqueline de Oliveira, de 21 anos, que integra a organiza\u00e7\u00e3o do movimento, visa chamar a aten\u00e7\u00e3o da sociedade e principalmente das mulheres, para que discutam mais sobre o estupro e ajudem a derrubar o que elas definem como a \u201ccultura do estupro\u201d no pa\u00eds. A expectativa, segundo ela, \u00e9 de que o ato re\u00fana de 100 a 150 pessoas e que novos protestos sejam realizados na capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-25632\" src=\"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato1.jpg5_.jpg\" alt=\"ato1.jpg5\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato1.jpg5_.jpg 620w, https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato1.jpg5_-150x112.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>\u201cO estupro n\u00e3o \u00e9 um assunto discutido e precisamos chamar todos para o debate. Precisamos acabar com a cultura do estupro, essa pr\u00e1tica social de viol\u00eancia que se caracteriza pela naturaliza\u00e7\u00e3o do ato do estupro e a culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima. A mulher foi violentada, mas buscam todas as formas de justificarem o ato de viol\u00eancia praticado contra ela\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A manifesta\u00e7\u00e3o conta com a participa\u00e7\u00e3o de diversos grupos de mulheres, entre eles o F\u00f3rum Articula\u00e7\u00e3o Mulheres de Mato Grosso e Mulheres Negras, o Frente pela Vida das Mulheres e a Frnete Feminista da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o Movimento dos Sem Terra (MST). O ato teve microfone aberto para o p\u00fablico, m\u00fasicas compostas e tocadas por mulheres, apresenta\u00e7\u00e3o de artistas e discuss\u00f5es sobre o estupro e o papel da mulher na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversas faixas e cartazes foram espalhados pela pra\u00e7a onde as participantes com frases como: \u201co machismo mata e escraviza\u201d, \u201ca culpa n\u00e3o \u00e9 minha, \u00e9 da sua mente suja\u201d e \u201cmeu corpo, minhas regras\u201d. Para Gl\u00f3ria Maria Munhoz, representante do F\u00f3rum Articula\u00e7\u00e3o Mulheres de MT e Mulheres Negras, um dos principais pilares do movimento \u00e9 a luta das mulheres por respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-25633\" src=\"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato2.jpg\" alt=\"ato2\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato2.jpg 620w, https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato2-150x112.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>\u201cA nossa alma d\u00f3i. N\u00e3o pedimos por cantadas. Queremos que entendam que quando dizemos n\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o. N\u00e3o precisamos pedir por respeito. N\u00f3s merecemos respeito. Queremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estupros em Mato Grosso<\/strong><br \/>\nDe 1\u00ba de janeiro a 30 de maio deste ano, 474 casos de estupros foram registrados em Mato Grosso, sendo 78 deles apenas em Cuiab\u00e1, segundo dados da Secretaria de Estado de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Sesp). A m\u00e9dia \u00e9 de pelo menos tr\u00eas casos por dia. Em 2015, foram 1047 estupros no estado, dos quais 219 foram registrados na capital e 90 em V\u00e1rzea Grande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a presidente do Conselho dos Direitos da Mulher e defensora p\u00fablica do N\u00facleo de Direitos da Mulher, Rosana Leite, os n\u00fameros, por\u00e9m, podem ser maiores, pois muitas mulheres deixam de relatar os abusos sofridos por vergonha, medo e at\u00e9 mesmo culpa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso precisa mudar. As v\u00edtimas devem procurar a delegacia e relatar o abuso sofrido para que o agressor seja punido e o poder p\u00fablico possa entender o que ocorre com as mulheres no estado e trabalhar a preven\u00e7\u00e3o. As v\u00edtimas n\u00e3o podem ficar quietas. N\u00f3s temos que culpabilizar o verdadeiro culpado e deixar a v\u00edtima assumir o papel dela de v\u00edtima, ampar\u00e1-la\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante ao ato contra o estupro na capital, a defensora destacou a import\u00e2ncia da implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para \u201cmudar paradigmas\u201d e diminuir esses dados na capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-25634\" src=\"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato2.jpg4_.jpg\" alt=\"ato2.jpg4\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato2.jpg4_.jpg 620w, https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato2.jpg4_-150x112.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>\u201cA cultura do estupro vai desde o assovio que as mulheres recebem nas ruas, as cantadas, partindo para os abusos sexuais e a viol\u00eancia propriamente dita, atrav\u00e9s do estupro. Temos que mudar paradigmas, mudar a forma como criamos os nossos filhos, precisamos incluir a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista e a viol\u00eancia contra a mulher nos curr\u00edculos escolares\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8216;Vida marcada&#8217;<\/strong><br \/>\nA delegada Jozirlethe Magalh\u00e3es Criveletto, que atua na Delegacia de Defesa da Mulher em Cuiab\u00e1 e integra o Conselho dos Direitos da Mulher, ressaltou, durante o protesto, que os governos precisam capacitar melhor os gestores das institui\u00e7\u00f5es competentes para atender as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso do estupro coletivo lembrado pelas participantes no ato, o delegado respons\u00e1vel pelo caso foi substitu\u00eddo ap\u00f3s a adolescente relatar que ele a culpava pela viol\u00eancia sofrida e a deixou desconfort\u00e1vel durante o depoimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-25635\" src=\"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato3.jpg\" alt=\"ato3\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato3.jpg 620w, https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/ato3-150x112.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>\u201cA sociedade precisa entender como o estupro afeta a vida e a alma das mulheres que s\u00e3o violentadas. As v\u00edtimas devem ter a seguran\u00e7a de saber que ela \u00e9 v\u00edtima e vai procurar uma institui\u00e7\u00e3o e ser atendida sem julgamento. Reivindicamos essa capacita\u00e7\u00e3o para que os servidores possam fazer uma esculta ativa, sem prejulgamento, sem discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, disse a delegada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida de uma mulher que passa por um trauma como o estupro, segundo a delegada, pode ser marcada para sempre. \u00c9 o caso de uma mulher de 35 anos, que prefere n\u00e3o ser identificada, e que passou por dois casos de abuso durante a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia e, hoje, ainda vive as sequelas dos atos cometidos contra ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estuprada aos quatro anos e novamente quando era adolescente, ela teve problemas para se relacionar com seus parceiros e conseguiu se casar apenas ap\u00f3s falar sobre os traumas sofridos. Posteriormente, viveu mais um drama: o de n\u00e3o poder ser m\u00e3e. Ap\u00f3s sofrer abortos, descobriu que, por traumas causados pelos estupros sofridos quando era crian\u00e7a, precisaria passar por uma cirurgia para a retirada do \u00fatero. Hoje, ela usa as experi\u00eancias sofridas para lutar contra o estupro no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #999999;\">G1-MT<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ato reuniu dezenas de mulheres na Pra\u00e7a Ulisses Guimar\u00e3es, na capital. 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