{"id":2864,"date":"2014-04-25T12:00:09","date_gmt":"2014-04-25T15:00:09","guid":{"rendered":"http:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/?p=2864"},"modified":"2014-04-25T12:00:09","modified_gmt":"2014-04-25T15:00:09","slug":"um-planeta-sem-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/namiradalei.com.br\/barradobugres\/um-planeta-sem-sol\/","title":{"rendered":"Um planeta sem sol"},"content":{"rendered":"<p>Um cientista americano acaba de descobrir um planeta \u00f3rf\u00e3o, que n\u00e3o tem sol. Ele est\u00e1 flutuando pelo espa\u00e7o, n\u00e3o muito distante do Sistema Solar. O achado vem se somar a outros para consolidar cada vez mais a no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 dif\u00edcil estabelecer uma separa\u00e7\u00e3o clara entre planetas e estrelas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br\/files\/2014\/04\/640px-Alone_in_Space_-_Astronomers_Find_New_Kind_of_Planet.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Um planeta \u00f3rf\u00e3o e solit\u00e1rio, vagando pelo espa\u00e7o sem a companhia de uma estrela-m\u00e3e\" src=\"http:\/\/mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br\/files\/2014\/04\/640px-Alone_in_Space_-_Astronomers_Find_New_Kind_of_Planet.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um planeta \u00f3rf\u00e3o e solit\u00e1rio, vagando pelo espa\u00e7o sem a companhia de uma estrela-m\u00e3e<\/p>\n<p>O novo objeto, que atende pela feiosa designa\u00e7\u00e3o WISE J085510.83\u2013071442.5,\u00a0tem entre 3 e 10 vezes a massa de J\u00fapiter \u2014 \u00e9 um gigante gasoso, portanto \u2014 e, como seria de se esperar de um astro que n\u00e3o gira em torno de uma estrela, \u00e9 frio. Sua temperatura estimada gira entre -48 e -13 graus Celsius. Ali\u00e1s, s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais frio que isso porque provavelmente ainda ret\u00e9m algum calor proveniente de seu processo de forma\u00e7\u00e3o. E ainda bem, porque \u00e9 o fato de n\u00e3o ser completamente congelado que permitiu sua detec\u00e7\u00e3o, por meio de um suave brilho em luz infravermelha detectado pelo sat\u00e9lite Wise, da Nasa.<\/p>\n<p>O achado tem chamado a aten\u00e7\u00e3o dos astr\u00f4nomos por duas raz\u00f5es: primeiro porque \u00e9 o astro mais frio desse tipo j\u00e1 detectado. Segundo porque ningu\u00e9m sabe direito como cham\u00e1-lo. O autor da descoberta, Kevin Luhman, da Universidade Estadual da Pensilv\u00e2nia, preferiu defini-lo como uma \u201can\u00e3 marrom\u201d. Essa classe de objetos \u00e9 composta por estrelas \u201cabortadas\u201d, que n\u00e3o conseguiram reunir massa suficiente para iniciar a fus\u00e3o de hidrog\u00eanio em seu n\u00facleo e, por isso mesmo, n\u00e3o \u201cacenderam\u201d. S\u00f3 que parte da comunidade astron\u00f4mica tra\u00e7a a linha entre planetas e an\u00e3s marrons num limite de 13 vezes a massa de J\u00fapiter. Seguindo esse crit\u00e9rio, o achado seria um planeta \u00f3rf\u00e3o, e n\u00e3o uma an\u00e3 marrom.<\/p>\n<p>A sugest\u00e3o vem do fato de que, com mais massa que isso, o objeto consegue ao menos fundir deut\u00e9rio (vers\u00e3o mais pesada do \u00e1tomo de hidrog\u00eanio, com um pr\u00f3ton e um n\u00eautron no n\u00facleo), gerando uma m\u00f3dica quantidade de energia t\u00e9rmica. Agora, se ele tem menos de 13 massas de J\u00fapiter, nem isso ele consegue. \u00c9 uma bola morta de g\u00e1s, que vai se resfriando conforme o calor interno da forma\u00e7\u00e3o se esvai, ao longo de bilh\u00f5es de anos. Bem a cara de um planeta gigante gasoso, s\u00f3 que sem uma estrela para chamar de m\u00e3e.<\/p>\n<p>Luhman est\u00e1 pintando e bordando em tempos recentes com os dados do sat\u00e9lite Wise. Num estudo recente, ele praticamente\u00a0<a href=\"http:\/\/mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br\/2014\/03\/12\/nasa-fracassa-na-busca-do-planeta-x\/\" target=\"_blank\">descartou a presen\u00e7a de um planeta X nas profundezas do Sistema Solar<\/a>\u00a0(para a tristeza dos nibirutas), e noutro ele\u00a0<a href=\"http:\/\/mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br\/2014\/01\/30\/a-geografia-de-uma-estrela-abortada\/\" target=\"_blank\">conseguiu analisar o padr\u00e3o de nuvens de uma an\u00e3 marrom<\/a>pertencente a um par bin\u00e1rio que ele mesmo descobriu. A descoberta do\u00a0WISE J085510.83\u2013071442.5 (para os \u00edntimos,\u00a0WISE 0855\u20130714) \u00e9 o terceiro trabalho bomb\u00e1stico em sequ\u00eancia. O astr\u00f4nomo americano est\u00e1 rapidamente se tornando o rei das an\u00e3s marrons. Esse \u00faltimo artigo foi publicado na \u00faltima segunda-feira no \u201cAstrophysical Journal Letters\u201d.<\/p>\n<p>PLANETAS SOLIT\u00c1RIOS (E PR\u00d3XIMOS)<\/p>\n<p>O achado, na pr\u00e1tica, demonstra que pelo menos um certo tipo de planeta \u2014 gigantes gasosos maiores que J\u00fapiter, mas menores que as an\u00e3s marrons \u2014 pode se formar sozinho no espa\u00e7o, pelo mesmo processo que leva ao surgimento de estrelas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 muito interessante observar a proximidade que esse astro rec\u00e9m-descoberto guarda do Sistema Solar. O objeto est\u00e1 a 7,1 anos-luz da Terra, uma dist\u00e2ncia que faz dele o quarto sistema mais pr\u00f3ximo (perdendo apenas do trio em Alfa Centauri, da an\u00e3 vermelha conhecida como Estrela de Barnard e do par bin\u00e1rio de an\u00e3s marrons descoberto anteriormente pelo pr\u00f3prio Luhman). N\u00e3o chega a ser uma dist\u00e2ncia para encorajar nibirutices, mas me faz pensar em algo que o f\u00edsico brit\u00e2nico Freeman Dyson disse, ao refletir sobre viagens interestelares.<\/p>\n<p>Costumamos pensar que uma viagem at\u00e9 a estrela mais pr\u00f3xima (Proxima Centauri, a 4,2 anos-luz) significa que a humanidade ter\u00e1 de atravessar essa imensa dist\u00e2ncia (cerca de 40 trilh\u00f5es de quil\u00f4metros) numa pernada s\u00f3. Isso, por sua vez, faz muitos pensarem que voo interestelar \u00e9 impratic\u00e1vel. Dyson, contudo, destaca que h\u00e1 muita coisa nesse suposto vazio entre uma estrela e outra. Ele sugere que viagens interestelares podem ser feitas mais ou menos do mesmo jeito que os antigos polin\u00e9sios atravessaram o oceano Pac\u00edfico \u2014 pulando de ilha em ilha.<\/p>\n<p>J\u00e1 sabemos que h\u00e1 muitos objetos de porte razo\u00e1vel al\u00e9m de Netuno (planetas an\u00f5es como Plut\u00e3o e \u00c9ris), que poderiam nos receber e abrigar col\u00f4nias humanas instaladas em ambientes controlados, a despeito do frio intenso. De l\u00e1, podemos saltar para objetos que ora se aproximam daquela regi\u00e3o, ora se afastam, como o Quaoar. Numa terceira parada, ter\u00edamos os poss\u00edveis planetas an\u00f5es presentes na nuvem de Oort, que se estende at\u00e9 um ano-luz de dist\u00e2ncia do Sol. De l\u00e1, quem disse que n\u00e3o encontraremos planetas \u00f3rf\u00e3os \u2014 pequenas ilhas no vazio c\u00f3smico \u2014 que nos ajudem a atravessar os tr\u00eas anos-luz restantes?<\/p>\n<p>Al\u00e9m de planetas que n\u00e3o conseguiram virar an\u00e3s marrons, podemos encontrar astros de todo tipo que nasceram em torno de estrelas, mas depois foram ejetados de seus sistemas planet\u00e1rios de origem e agora seguem \u00f3rbitas em torno do centro da Via L\u00e1ctea. Eles s\u00e3o praticamente invis\u00edveis para n\u00f3s daqui, visto que s\u00e3o pequenos, distantes e gelados, mas talvez possam ser detectados pela humanidade do futuro, que j\u00e1 tiver estabelecido uma esta\u00e7\u00e3o de pesquisa em Quaoar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de turvar a distin\u00e7\u00e3o que fazemos de planetas e estrelas, esses astros \u00f3rf\u00e3os real\u00e7am a incr\u00edvel variedade do cosmos. E nos fazem lembrar que n\u00e3o podemos restringir nossa imagina\u00e7\u00e3o aos pr\u00f3ximos dez anos, ou mesmo ao pr\u00f3ximo s\u00e9culo. O\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>\u00a0j\u00e1 tem 200 mil anos. Se continuar existindo por outros 200 mil, o que n\u00e3o poder\u00e1 estar fazendo no long\u00ednquo ano de 202.014? Gosto do Dyson sobretudo porque ele n\u00e3o tem medo de pensar grande. Quando voc\u00ea se v\u00ea diante do tempo em escala astron\u00f4mica, nada parece imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uol<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um cientista americano acaba de descobrir um planeta \u00f3rf\u00e3o, que n\u00e3o tem sol. 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